O Vento Vai Reagir, documentário dirigido por Delvair Montagner e Marcelo Díaz, integra a competição oficial do 18º Seattle Latino Film Festival, realizado de 9 a 17 de outubro, nos Estados Unidos. O longa acompanha Varῖ Mëma, antropóloga indígena Marubo, e Delvair em uma viagem até uma aldeia próxima a Atalaia do Norte, no Amazonas, a partir da qual o filme aborda memória, identidade e transformações culturais vividas pelo povo Marubo.

No filme, Varῖ Mëma, mulher indígena e antropóloga, vive um conflito. Deixou de ser vista como uma Marubo pelos parentes. No mundo acadêmico ela se vê como “alguém de fora”. Qual será seu lugar? Delvair, antropóloga que acompanhou seu nascimento na década de 1970, busca reconectar-se com ela e com as memórias de uma Amazônia que não existe mais.

“Como mulher Marubo, carrego comigo a força, a memória e a sabedoria do meu povo. Este filme mostra ao mundo a riqueza da nossa cultura, da nossa cosmologia e da nossa maneira de viver, mas também traz um alerta: nossa cultura precisa ser cuidada, fortalecida e valorizada”, destaca Varī Mëma, que protagoniza o filme junto com Delvair, enquanto colabora no roteiro. “Levar este filme para os EUA é levar um pouco da nossa voz e da nossa história e, principalmente, dar visibilidade às mulheres Marubo como preservadoras e transmissoras de conhecimentos e de educação, que muitas vezes permanecem invisíveis no mundo dos nawarasin (dos brancos)”, complementa.

Delvair e Varῖ percorrem os rios da Amazônia no documentário 'O Vento Vai Reagir'
Delvair e Varῖ percorrem os rios da Amazônia no documentário ‘O Vento Vai Reagir’ (Crédito: Divulgação / Diazul de Cinema)

A obra narra o reencontro de duas antropólogas de identidades distintas, Delvair e Varῖ, unidas pela cultura indígena Marubo. Juntas viajam à aldeia de Varῖ, a dois dias de barco de Atalaia do Norte (AM), e encontram uma Amazônia degradada, especialmente em termos culturais. Delvair também atua como diretora e roteirista (funções divididas com Marcelo Díaz).

O choque é profundo: o ambiente está esvaziado e desconectado das tradições. O filme alterna entre naturalismo e melancolia, cruzando passado e presente sem entrevistas, apenas por meio de memórias e encontros entre os mundos indígena e não indígena. As memórias das duas antropólogas são matéria-prima para uma narrativa que oscila entre passado e presente de ambas, de forma não linear.

Porta-retrato onde aparece uma fotografia antiga no documentário O Vento Vai Reagir
Cena de ‘O Vento Vai Reagir’ (Crédito: Divulgação / Diazul de Cinema)

Varῖ Mëma (45), doutora em Antropologia pela UFRJ, foi incumbida pelas mulheres de seu povo de pesquisar e preservar sua cultura. Criada entre indígenas e não indígenas, busca entender sua própria identidade. Já Delvair Montagner (81) atua na região desde os anos 1970. É reconhecida por registrar os Marubo em seus documentários e fotografias e por identificar a Terra Indígena Vale do Javari, que levou à sua demarcação.

O longa-metragem tem produção da Diazul de Cinema e produção executiva de  Marcelo Díaz. No ano passado, o filme foi contemplado com cinco prêmios no SAPCINE (Colômbia), que garantem serviços de pós-produção voltados ao mercado internacional, consultoria de impacto e a assessoria de mídia do Latam Cinema.

Aldeias indígenas do povo Marubo no documentário O Vento Vai Reagir
Povo Marubo fica localizado na região do município Atalaia do Norte, no interior do Amazonas. (Crédito: Divulgação / Diazul de Cinema)

“O Vento Vai Reagir” tem o patrocínio do FAC (Fundo de Apoio à Cultura do DF, Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal – SECEC).

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