Dirigido por Brian Duffield, Dentro da Baleia acompanha Jay Gardiner (Austin Abrams), um rapaz tímido e misterioso que, sob um pretexto familiar, parte em uma expedição marítima desafiadora em busca dos remanescentes de seu falecido pai, Mitt Gardiner (Josh Brolin). O que Jay não poderia antecipar é que, na imensidão que o aguardava, um desafio ainda mais extremo vinha em sua direção: ser engolido vivo por uma baleia-cachalote.
O que aparenta ser uma trama simples de resiliência em um contexto inusitado, ainda que possível, logo se transforma em uma experiência psicológica de caráter visual e sentimental. O filme prende o espectador em estado de agonia enquanto aborda temas que vão do viés ecológico a uma relação marcada pela paternidade tóxica.

O desconforto dentro da baleia
Do ponto de vista técnico, o filme acerta ao explorar planos amplos que alimentam a dimensão dos acontecimentos e planos fechados que incitam o desconforto constante. A construção sonora reforça tanto a origem dos ruídos quanto a sensação vivida pelo protagonista, aproximando o espectador daquilo que Jay escuta e sente dentro daquele ambiente.
O resultado é uma experiência em tela convincente, com uso de CGI que raramente chama atenção para si e ajuda a sustentar a credibilidade da proposta.

Ainda que o filme alimente a sensação de perigo, pouco do que é mostrado escapa de grandes coincidências. Se não fosse pela montagem muitas vezes autoexplicativa, algumas dessas soluções poderiam soar mais naturais.
Não significa que não sejam possíveis, mas as conexões entre os desafios e suas respectivas soluções tornam a jornada excessivamente particular e, em alguns momentos, artificial. O filme faz com que quem assiste aceite certas relações mais do que propriamente as compreenda. Ainda assim, nada disso prejudica de maneira decisiva a apreciação do desenrolar da trama.

Entre a sobrevivência e o passado
A narrativa oscila entre o elemento que inicialmente atrai o espectador, a sobrevivência de Jay, e o passado que particulariza sua história.
Austin Abrams carrega boa parte do filme com um olhar frenético associado a uma interpretação mais séria e madura do que em alguns de seus trabalhos recentes. Sua atuação ajuda a sustentar a tensão física da situação sem perder a dimensão emocional do personagem.
Em contraste, Josh Brolin interpreta Mitt, um pai insuportável e onipresente. Ele abre o filme com uma falta de fôlego que Jay precisará enfrentar de forma literal ao longo da história, enquanto sua presença continua ocupando a consciência do protagonista mesmo depois da morte.

Cria-se, assim, um contraste entre pai e filho que alimenta uma ebulição que nunca chega da maneira mais teatral que se poderia esperar. A tensão entre os dois existe, mas o filme prefere mantê-la em uma zona mais contida do que conduzi-la para uma grande explosão emocional.
O peso além do sufoco
Dentro da Baleia vem à tona como um filme que cumpre aquilo que promete: uma experiência agonizante e visualmente intensa.
Para além disso, acrescenta um peso dramático que dá autenticidade ao desafio enfrentado pelo protagonista e enche a tela de metáforas sobre conflito, herança familiar e reconciliação.
Mesmo quando suas soluções narrativas parecem calculadas demais, o filme encontra força na maneira como transforma a sobrevivência física de Jay em extensão de tudo aquilo que ele ainda carrega do pai.





