O cinema brasileiro marca presença na competição oficial do Festival de Veneza 2026 com ‘Retorno a Buenos Aires’, coprodução entre Brasil e Itália dirigida por Marco Bechis. O longa, que concorre ao Leão de Ouro, divulgou trailer internacional e conta com participação dos brasileiros Paula Cohen e Eduardo Hoy no elenco.
Os três produtores e os dois atores estarão em Veneza como representantes do Brasil. Assista ao trailer aqui.
O trailer internacional destaca a atmosfera de tensão e receio quando, após 33 anos, o médico italiano Mariano Guerra (Adriano Giannini) é chamado para retornar ao tribunal argentino para depor no julgamento dos ex-militares que o sequestraram e o torturaram durante a ditadura militar.
Com três meses de pré-produção e quatro semanas de filmagens no Brasil, realizadas em Porto Alegre, e mais três semanas no norte da Itália, em Turim, o projeto também consolida a atuação internacional da produtora brasiliense 34 Filmes e a parceria com André Ristum, da Sombumbo, que já colaborou em diversos projetos anteriores, e com Cibele Amaral, da Neocórtex.

O filme teve participação destacada de técnicos brasileiros, entre os quais a direção de arte de Eduardo Antunes, a produção de elenco de Alessandra Tosi, o figurino de Coca Serpa, a produção executiva de André Ristum e Patrick de Jongh e o line producer Beto Rodrigues. A coprodução entre Brasil e Itália reúne a 34 Filmes e as italianas Fandango, 39Films, Karta Film e Rai Cinema.
A história de ‘Retorno a Buenos Aires’ dialoga diretamente com a trajetória do próprio diretor Marco Bechis, preso político durante a ditadura argentina, experiência que marca sua filmografia e confere ao longa um caráter testemunhal. O encerramento das filmagens coincidiu simbolicamente com os 50 anos do início da ditadura na Argentina, em março de 1976, reforçando a atualidade da reflexão proposta pelo filme sobre memória, justiça e sobrevivência.
O diretor destaca: ‘Com ‘Retorno a Buenos Aires’, volto à Argentina 50 anos depois. Volto com uma história que não é a minha, mas que nasce de uma ferida que conheço. Eu também fui sequestrado durante a ditadura argentina, mas Mariano não sou eu. Escolhi a ficção porque, às vezes, ela é a única forma de se aproximar de uma verdade que a memória, sozinha, não consegue contar. Durante muitos anos pensei que o cinema tivesse me libertado dessa pergunta. Percebi que não era assim. Há muitos anos uma questão me acompanha: o que significa sobreviver? Não apenas salvar-se, mas continuar vivendo quando outros não puderam fazê-lo. Mariano retorna a Buenos Aires para depor em um julgamento. Por meio dele, procurei contar esse momento em que o passado volta a ocupar o presente. Busquei uma direção essencial, sem explicar nem julgar. Interessavam-me os silêncios, os rostos, o tempo da espera, os lugares que conservam as marcas do que aconteceu. No fundo, este filme fala de uma única coisa: da culpa do sobrevivente, que persiste”.
Sinopse
Buenos Aires, 2008. Depois de trinta e três anos, Mariano Guerra, médico italiano, retorna à Argentina para depor no julgamento dos ex-militares que o sequestraram, torturaram e escravizaram durante a ditadura militar.
Junto com outros sobreviventes, ele é hospedado nas instalações do Ministério da Justiça, onde reencontra pessoas com quem compartilhou o cativeiro e aguarda o dia de seu depoimento.
Os dias passados ao lado dos demais sobreviventes, os encontros e os testemunhos trazem à tona acontecimentos que permaneceram sem resolução por décadas.
Mariano é um dos poucos sobreviventes e carrega consigo um peso que nenhuma sentença é capaz de aliviar. O retorno a Buenos Aires o obriga a confrontar-se com o que significa ter permanecido vivo.




